Sócio de clínica suspeita de manter pacientes em cárcere privado é preso e outras 10 vítimas são resgatadas no Paraná


Na segunda-feira (24), cinco mulheres já tinham sido resgatadas no local e um gerente preso. Clínica tinha espaços insalubres, diz delegado. Cinco mulheres são resgatadas de cárcere privado em clínica particular de reabilitação em Antonina
PCPR
A Polícia Civil prendeu em flagrante, nesta quarta-feira (26), o sócio administrador da clínica particular de reabilitação de Antonina, no litoral do Paraná, suspeita de manter pacientes em cárcere privado.
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Na segunda-feira (24), uma operação junto com a Vigilância Sanitária identificou cinco mulheres sem documentos que comprovassem que estavam internadas de forma voluntária. Por conta disso, elas foram resgatadas naquele dia e o gerente da clínica foi preso em flagrante.
Nesta quarta, a polícia resgatou outras dez mulheres que estavam no local. Segundo a corporação, elas não estavam confinadas em ambientes fechados ou em condições degradantes no momento da abordagem, porém, estavam internadas irregularmente, sem atender aos requisitos legais necessários.
Conforme a polícia, as internações delas não foram comunicadas ao Ministério Público (MP-PR), como exige a legislação, o que configura o crime de cárcere privado.
As vítimas estão sendo acompanhadas pela Assistência Social de Antonina e foram entregues às respectivas famílias, conforme a polícia.
O g1 procura a defesa da Clínica Adonai. Os nomes dos presos não foram divulgado.
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Local foi interditado
Cinco mulheres são resgatadas de cárcere privado em clínica particular de reabilitação
Segundo a polícia, o local, que se apresentava como centro de tratamento para pessoas com dependência química, não era clandestino. Porém, durante a fiscalização, foram constatadas diversas irregularidades.
Nesta quarta-feira (26), a Vigilância Sanitária interditou o local.
Segundo Carlos Eduardo de Abreu Calixto, coordenador da Vigilância e Saúde de Antonina, além dos problemas mencionados pelo delegado, havia falhas documentais como, por exemplo, falta de assinaturas de permissão de tratamento das próprias pacientes.
“Faltava o documento de cinco pacientes, que foram afastadas. Algumas tinham laudo e não tinham assinatura, outras tinham assinatura, mas o laudo deixava a desejar. Essas ainda foram mantidas na clínica porque constava que havia assinatura de responsáveis do paciente”, explicou.
O MP solicitou judicialmente a suspensão das atividades da clínica.
A RPC apurou que a mensalidade da clínica era em torno de R$ 2 a R$ 3 mil, dependendo do tratamento escolhido.
‘Local insalubre’, diz delegado
Cinco mulheres são resgatadas de cárcere privado em clínica particular de reabilitação em Antonina
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O delegado Emmanuel Lucas Moura, que invevstiga o caso, descreveu o local onde algumas das pacientes estavam como “insalubre”.
De acordo com ele, uma das vítimas, de 22 anos, foi mantida em um quarto irregular, algemada e fazia as necessidades fisiológicas em baldes.
“Havia dois baldes com fezes e urina, então, essa paciente estaria fazendo as necessidades fisiológicas nesses baldes e estava se limpando com edredom da cama. Além disso, ela relatou que teria sido algemada por, pelo menos, três dias […] Vimos que era um local insalubre, sem ventilação adequada”, relatou.
Segundo o coordenador da Vigilância e Saúde de Antonina, Carlos Eduardo de Abreu Calixto, o quarto onde ela estava trancada não consta na descrição de funcionamento do estabelecimento.
‘Quarto zero’
Cinco mulheres são resgatadas de cárcere privado em clínica particular de reabilitação em Antonina
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Uma ex-paciente, que não quis se identificar, registrou um Boletim de Ocorrência (B.O) contra a clínica e contou à RPC que as pacientes que tinham mau comportamento eram levadas para o lugar chamado “quarto zero” como forma de punição.
“As meninas que se recusavam a fazer algum serviço, se recusavam a fazer faxina, alguma coisa assim, eram mantidas ali”, relatou.
Segundo o delegado, o gerente relatou que usou algemas hospitalares para conter as pacientes. Contudo, a polícia encontrou algemas policiais no local.
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