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O ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), de 69 anos, revelou em entrevista que usa chip hormonal para melhorar o desempenho sexual. Porém, apesar do ex-presidente dizer que o implante “mudou a sua vida”, especialistas alertam para a ausência de estudos que comprovam a eficácia do método.

Bolsonaro revelou que utiliza implante de chip hormonal para aumentar desempenho sexual – Foto: Reprodução/ND
Na entrevista ao canal do YouTube do jornalista Léo Dias, Bolsonaro foi questionado sobre o uso de tadalafila, medicamento para disfunção erétil, e respondeu: “Tadalafila já era, agora é chip, já ouviu falar? (…) Coloquei, qual o problema? (…) Me sinto com 40 anos de idade. (…) Você com a idade vai chegando, vai tendo problemas” brincou Bolsonaro.
O chamado “chip hormonal” é um implante manipulado que contém hormônios sintéticos, como testosterona, e outros compostos. O ex-presidente afirmou que o implante do chip “mudou sua vida” e destacou que o implante foi feito na região final da coluna, com duração de seis meses.

Chip já foi alvo de proibições pela Anvisa em 2024, mas decisão foi revertida para venda controlada – Foto: Rafa Neddermeyer/Agência Brasil
Não há estudos sobre a eficácia do chip hormonal usado por Bolsonaro, dizem especialistas
Especialistas alertam que a composição desses implantes é variável e, muitas vezes, desconhecida pelos pacientes, o que pode levar a efeitos adversos graves.
Em entrevista para a Veja Saúde, Clayton Macedo, endocrinologista e diretor da SBEM (Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia), destacou que o uso indiscriminado de testosterona pode aumentar o risco de infartos, arritmias, tromboses e até morte. Além disso, há efeitos neuropsiquiátricos, como aumento de agressividade, ansiedade e dependência.
“Ele é uma pessoa pública, que pode influenciar outros homens nessa faixa etária que buscam manter sua potência sexual, mas poderão apresentar efeitos adversos significativos com essa estratégia”, diz o endocrinologista.
A testosterona só é indicada para homens com deficiência comprovada do hormônio, condição chamada hipogonadismo. O problema afeta menos de 10% dos homens acima de 60 anos.
“Não só o chip hormonal não é aprovado como reposição hormonal no Brasil como o uso de testosterona por si só não garante a manutenção da ereção”, destaca o urologista Fernando Facio Jr., chefe do Departamento de Andrologia da SBU (Sociedade Brasileira de Urologia).
Assista ao trecho da entrevista de Bolsonaro
Revelação ocorreu durante entrevista para um canal do YouTube – Vídeo: Reprodução/ND
*Com informações da Veja Saúde