Desvios em Florianópolis: quem são e como se organizavam os 23 indiciados na Operação Presságio

A Polícia Civil de Santa Catarina indiciou 23 pessoas por formação de organização criminosa e desvios de recursos em repasses de verbas da Secretaria Municipal de Turismo, Cultura e Esporte de Florianópolis. O relatório final da Operação Presságio aponta que o ex-secretário municipal, Ed Pereira, era o líder da organização criminosa formada dentro da pasta para a prática dos crimes contra a administração pública.

Ed Pereira, ex-secretário de Turismo e Esporte de Florianópolis

Ed Pereira deixou a prisão em 2024 – Foto: Divulgação/ND

O inquérito policial, referente à primeira fase da Operação Presságio, foi concluído na segunda-feira (31). Os envolvidos realizaram os desvios de recursos por meio de repasses ao Instituto Bem Possível, configurando os crimes de peculato e falsidade ideológica.

Quem são os indiciados pela operação Presságio?

A polícia civil indiciou 23 pessoas por integrar organização criminosa, peculato e falsidade ideológica. Dentre os investigados, estão ex-funcionários públicos e laranjas usados no esquema.

A reportagem do ND Mais apurou que houve 18 indiciamentos por organização criminosa e outros dez por peculato e falsidade ideológica. Foram indiciados, os seguintes investigados:

  • Edmilson Carlos Pereira Junior, indiciado por integrar organização criminosa, peculato e falsidade ideológica;
  • Samantha Santos Brose, indiciada por integrar organização criminosa, peculato e falsidade ideológica;
  • Renê Raul Justino, indiciado por integrar organização criminosa, peculato e falsidade ideológica;
  • Gilliard Osmar dos Santos, indiciado por integrar organização criminosa;
  • Cleber José Ferreira, indiciado por integrar organização criminosa, peculato e falsidade ideológica;
  • Lucas da Rosa Fagundes, indiciado por integrar organização criminosa;
  • Guilherme Dias Pires, indiciado por integrar organização criminosa, peculato e falsidade ideológica;
  • Leonardo Silvano, indiciado por integrar organização criminosa;
  • Adriano de Souza Ribeiro, indiciado por integrar organização criminosa;
  • Fernando Lopes Nascimento, peculato e falsidade ideológica;
  • Gabriel Antônio Euzébio, indiciado por integrar organização criminosa;
  • Ezequiel Luiz Costa de Lima, indiciado por integrar organização criminosa;
  • Luiza Dozol Pires, peculato e falsidade ideológica;
  • Evelyn Caroline da Silva, indiciada por integrar organização criminosa;
  • Robson Vilela, indiciado por integrar organização criminosa;
  • Tanaiah Justino, indiciada por integrar organização criminosa;
  • Vanessa Martinelli, indiciada por integrar organização criminosa;
  • Filipe André Caetano, indiciado por integrar organização criminosa;
  • Renan Dias Pires, indiciado por integrar organização criminosa;
  • Gustavo Simas, peculato e falsidade ideológica;
  • Marilu Martins Pinheiro, peculato e falsidade ideológica;
  • Michele Pereira Portela, peculato e falsidade ideológica;
  • Daniel Rodrigues Ribeiro de Lima, indiciado por integrar organização criminosa.
Ex-secretário municipal, Ed Pereira

Ex-secretário municipal, Ed Pereira, é apontado como líder da organização criminosa formada dentro da secretaria de Turismo e Esporte de Florianópolis – Foto: NDTV

Ed Pereira liderava organização criminosa, diz Operação Presságio

Ficou demonstrado, no inquérito policial, que o ex-secretário de Florianópolis, Ed Pereira, era o líder da organização criminosa formada dentro da administração pública. Apuração da reportagem do ND Mais dá conta de que Ed é considerado o principal investigado pela ofensiva e teria cometido, ao longo de quatro anos, um “assalto aos cofres públicos”.

À frente da secretaria de Turismo e Esporte, Ed Pereira teria montado “uma estrutura empresarial”, com apoio de diversos servidores públicos da pasta e particulares, “engendraram um complexo esquema fraudulento, com o objetivo de desviar dinheiro público, para o recebimento de vantagens ilícitas, por meio da concessão de verbas”.

O ex-secretário municipal foi preso preventivamente em 2024 e solto cinco meses depois. Na decisão, o ministro do STJ (Superior Tribunal de Justiça), Antonio Saldanha Palheiro, concordou com o argumento da defesa de que afirmou que não existiam provas válidas suficientes para sustentar a prisão preventiva.

A investigação da Operação Presságio dividiu a organização criminosa em quatro camadas:

  • Liderança, ocupada pelo ex-secretário, Ed Pereira;
  • Núcleo administrativo e financeiro, formado por Samantha Santos Brose e Renê Raul Justino;
  • Núcleo operacional, constituído por Gilliard Osmar dos Santos, Lucas da Rosa Fagundes, Cleber José Ferreira, Adriano de Souza Ribeiro, Leonardo Silvano, Gabriel Antônio Euzébio, Guilherme Dias Pires, Filipe André Caetano e Renan Dias Pires;
  • Núcleo dos laranjas, do qual faziam parte Ezequiel Luiz Costa de Lima, Daniel Rodrigues Ribeiro de Lima, Robson Vilela, Evellyn Caroline da Silva, Tanaiha Lima Justino e Vanessa Espindola Martinelli.
Organograma mostra como funcionava o esquema de corrupção investigado pela operação Presságio

Organograma mostra como funcionava o esquema de corrupção investigado pela operação Presságio – Foto: Reprodução/ND

Como funcionava o esquema?

Segundo apurado pela Polícia Civil de Santa Catarina, Edmilson Pereira e a esposa, Samantha Santos Brose, eram os responsáveis por comandar os projetos sociais realizados pela organização da sociedade civil, Instituto Bem Possível, que recebera repasses de verbas públicas para realização de atividades socioeducativas. Entre 2017 e 2023, a organização recebeu R$ 875.169,63.

A instituição fazia uso de pessoas interpostas (laranjas) para maquiar o desvio de dinheiro público para proveito próprio. Segundo a investigação, Renê Raul Justino era o “testa de ferro” do casal no esquema criminoso contra a administração pública. Em janeiro de 2024, na primeira fase da Operação Presságio, Ed Pereira foi afastado do cargo.

Desde então, outras duas etapas da ofensiva foram desencadeadas para identificar demais envolvidos no esquema. Segundo a polícia civil, durante a segunda etapa, foi comprovada autoria e materialidade dos seguintes crimes:

  • Corrupção ativa;
  • Corrupção passiva;
  • Emissão de notas fiscais ideologicamente falsificadas;
  • Peculato;
  • Formação de organização criminosa.

Na segunda fase da Operação Presságio, o ex-secretário municipal, Ed Pereira, foi preso preventivamente, em maio de 2024, junto a Renê Raul Justino, Lucas Fagundes da Rosa e Cleber José Ferreira.

Na terceira fase, foram cumpridos de vinte e quatro mandados de busca e apreensão, contra vinte investigados. Servidores públicos foram afastados em todas as fases da ofensiva. O terceiro procedimento investigativo segue em aberto.

Contrapontos

A reportagem do ND Mais localizou, até o momento, os advogados de três dos 23 indiciados pela polícia civil, no âmbito da Operação Presságio, e procura as defesas dos demais envolvidos. Por ora, somente a defesa de Rene Raul Justino se manifestou.

O casal de advogados Wiliam Shinzato e Marina Shinzato informa que “ainda está analisando a situação jurídica e se manifestará em momento oportuno”.

O espaço segue aberto para todos os envolvidos e será atualizado conforme manifestação.

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