
Queda nas vendas ultrapassa 20% desde 2023, ano em que a Tesla registrou o maior número de emplacamentos de sua história. Tesla Model Y foi o carro mais vendido em 2024
Divulgação | Tesla
As vendas da Tesla caíram 13% no primeiro trimestre, seu desempenho mais fraco em quase três anos, em reação à adesão do presidente-executivo da montadora, Elon Musk, às políticas de extrema direita e com os consumidores buscando modelos mais novos de outros fabricantes de veículos elétricos.
As ações da montadora recuavam cerca de 6% no início do pregão desta quarta-feira (2), quando a empresa divulgou uma queda maior que o esperado nas vendas. Nos três primeiros meses deste ano foram comercializados 336.681 veículos, contra 386.810 emplacamentos durante o mesmo período de 2024.
O pico de vendas de veículos da Tesla aconteceu em 2023, quando o primeiro trimestre marcou 422.875 carros elétricos vendidos ao redor do mundo. Comparando com os números divulgados pela companhia nesta semana, a queda é de 20,27%.
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A expectativa de 15 analistas da Visible Alpha para este trimestre não era das maiores, com 372.410 veículos comercializados. Com a queda, os números oficiais divulgados pela Tesla foram 9.59% menores que a previsão da consultoria.
As vendas da montadora na Europa e na China caíram, mesmo com mais pessoas comprando veículos elétricos, enquanto carros e concessionárias da Tesla em todo o mundo se tornaram alvos de vandalismo.
“Não vamos olhar para esses números com lentes cor-de-rosa… eles foram um desastre em todas as métricas. Wall Street e nós sabíamos que um primeiro trimestre ruim estava por vir, mas isso foi ainda pior do que o esperado”, disse o analista Dan Ives, da Wedbush Securities.
No ano passado, Musk previu um crescimento de 20% a 30% nas vendas em 2025, prometendo lançar um veículo acessível no primeiro semestre do ano.
Mas seu papel de consultor do presidente dos EUA, Donald Trump, por meio do qual ele foi fundamental na demissão de milhares de funcionários federais e no corte de ajuda humanitária, gerou descontentamento entre alguns clientes.
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“No curto prazo, é compreensível a preocupação com a queda nas margens e nas vendas ao mesmo tempo, impactando o crescimento dos lucros e das receitas”, disse Brian Mulberry, gestor de portfólio de clientes da Zacks Investment Management, acionista da Tesla.
Protestos em lojas da Tesla nos EUA e na Europa aumentaram. Alguns dados indicam um crescimento de proprietários de Tesla negociando seus veículos.
Investidores estão esperando para ver se modelos renovados como o Model Y e os incentivos ajudaram a conter a fraca demanda e a disputa com rivais chineses, incluindo a BYD e concorrentes europeus como a Volkswagen e a BMW .
A BYD deve desbancar a Tesla como a maior vendedora global de veículos elétricos pela primeira vez neste ano, com uma participação de mercado de 15,7%, à frente dos 15,3% da Tesla, de acordo com a Counterpoint Research.
As vendas da Tesla nos principais mercados europeus caíram novamente em março, com as vendas na França e na Suécia recuando pelo terceiro mês consecutivo. A marca começou a oferecer o Model Y renovado com estilo atualizado e interiores aprimorados na China no final de fevereiro e nos EUA e Europa no mês passado.
Dados de associações da indústria automobilística e estimativas de analistas apontam para declínios notáveis nas vendas da Tesla durante os dois primeiros meses do ano nos EUA, Europa e China.
A Tesla indicou planos de lançar um modelo de menor preço baseado em sua plataforma existente neste ano, mas ainda não divulgou detalhes específicos sobre o veículo.
Sua picape cara Cybertruck, lançada no final de 2023, teve demanda limitada devido ao seu design e preocupações com a qualidade. A Tesla recentemente fez recall de quase todos os Cybertrucks para resolver um possível problema no painel externo.
Embora a Tesla possa sofrer menos com as novas tarifas de 25% sobre veículos importados devido à sua fabricação baseada nos EUA, Musk disse que as implicações de custo são “significativas”. A companhia também alertou sobre potenciais tarifas retaliatórias em resposta às taxas.