
Queda de movimento por conta das obras que duraram quase dois anos levou empresários a mudarem endereço ou desistirem do negócio. Avenida 9 de Julho, em Ribeirão Preto, SP, tem mais imóveis fechados do que abertos
Um levantamento do Sindicato do Comércio Varejista de Ribeirão Preto (SP) aponta que mais da metade dos imóveis da Avenida Nove de Julho estão desocupados.
São 65 estabelecimentos vazios e 55 ocupados atualmente. A via foi liberada para o tráfego na quinta-feira (27), quase dois anos após o início das interdições para obras, em junho de 2023.
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O prazo inicial era de que os serviços seriam concluídos em junho de 2024. No período, muitos comerciantes não conseguiram manter o negócio aberto e tiveram de fechar as portas ou mudar de endereço.
Mais da metade dos imóveis na Avenida Nove de Julho, em Ribeirão Preto, SP, estão vazios
Reprodução/EPTV
André Sousa foi um dos empresários que desistiram de ficar na avenida. Ele é proprietário de uma loja de colchões que funcionou na Nove de Julho por dois anos, mas o faturamento caiu assim que as obras começaram.
“Fluxo de carro igual todas as avenidas possuem e a Nove de Julho sempre teve, não tinha, então, se o cliente não vê sua loja, não sabe da existência dela. Ao decorrer dessa reforma da Nove de Julho, o Centro também entrou em reforma, então, pro cliente chegar até minha loja, ficou inviável. Foi piorando a situação”.
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Há quase um ano, a loja foi reaberta na Avenida Francisco Junqueira e o empresário não deve mudar do novo local tão cedo.
“Não penso em voltar pra lá. Mesmo que esteja bom lá, já tem sinais que alguns pontos estão afundando e, provavelmente, vai dar defeito novamente”.
Lojas foram fechadas por conta das obras na Avenida Nove de Julho, em Ribeirão Preto, SP
Reprodução/EPTV
À EPTV, afiliada da TV Globo, o secretário de Obras Públicas de Ribeirão Preto, Walter Fabrício de Castro Telli, garantiu, na quinta-feira (27), a qualidade do serviço realizado pelos engenheiros responsáveis pela obra.
Denilson dos Santos, por outro lado, decidiu manter o negócio na avenida. A imobiliária dele sobreviveu às interdições, mas ele confessa que o período foi difícil para os negócios.
“Eu vi todos os meus vizinhos mudarem. Sobreviveram um vizinho meu e um da frente, o restante, saíram todos. Mesmo quando estava fechado aqui na frente da imobiliária, o cliente não conseguia chegar, se perdia no GPS, foi muito difícil”.
Furtos aumentaram no período
Além dos imóveis vazios, o período em que a avenida ficou em obras também aumentou as ocorrências de furtos no local.
Algumas empresas que optaram por ficar na Nove de Julho tiveram de gastar mais para reforçar a segurança. Denilson teve a imobiliária invadida duas vezes e precisou colocar grades de proteção nas portas.
À EPTV, a Secretaria de Segurança Pública disse que faz operações específicas na região e reduziu a criminalidade.
Vai e vem da obra
As obras foram concluídas pela empresa paulistana Era-Técnica Engenharia Construções e Serviços Ltda. Em março de 2024, a construtora assumiu o serviço para terminar a revitalização da Avenida Nove de Julho e a implantação de uma nova rede de galerias pluviais até a Avenida Dr. Francisco Junqueira, cortando as ruas do Centro da cidade.
O custo aos cofres públicos foi de R$ 32.411.776,19, cerca de R$ 1,4 milhão a mais do que o valor cobrado pela Construtora Metropolitana, primeira empresa vencedora da licitação, mas que teve o contrato rompido pela prefeitura em dezembro de 2023 por descumprimento da execução do projeto.
Ao assumir a continuidade do trabalho, conforme o contrato, a Era-Técnica Engenharia Construções e Serviços Ltda tinha até maio de 2025 para concluí-lo.
Trecho em obras da Avenida Nove de Julho ganha estacionamento rotativo provisório
Fernando Gonzaga/ Divulgação Prefeitura de Ribeirão Preto
Avenida histórica
A Avenida Nove de Julho foi projetada na década de 1920 na gestão do prefeito João Rodrigues Guião. Originalmente chamada Avenida Independência, foi rebatizada em 1934 por causa da Revolução Constitucionalista.
O trecho entre as ruas Barão do Amazonas e Cerqueira César foi o primeiro a receber os blocos de basalto, em 1949. Naquela época, foram plantadas 40 sibipirunas que ainda sobrevivem.
Por décadas, a via foi um dos principais corredores econômicos da cidade, com bancos nacionais e internacionais, lojas de diferentes segmentos, bares e restaurantes, além de endereço de famílias da elite.
Avenida Nove de Julho na década de 1940 em Ribeirão Preto, SP
Reprodução/EPTV
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