
Polarização, políticas contra minorias e cortes do novo governo estão fazendo com que alguns cidadãos americanos deixem o país. Mais de 1 milhão de americanos vivem no México. Trump anuncia taxa de 25% sobre carros e peças automotivas importados a partir de abril
Supressão de direitos, discriminação, cortes drásticos do governo e discurso de polarização. Os motivos pelos quais alguns americanos escolhem viver no México são diversos, mas todos têm uma origem comum: as políticas do presidente Donald Trump.
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O México abriga um quinto dos cinco milhões de expatriados contabilizados em 2023 pela Association of Americans Resident Overseas (Associação de Americanos que Vivem no Exterior).
A migração para o país vizinho se intensificou durante a pandemia de Covid-19, com milhares de “nômades digitais” se estabelecendo na Cidade do México para escapar das restrições sanitárias e aproveitar o menor custo de vida.
Mas o retorno de Trump à Casa Branca deu a alguns o argumento definitivo para não retornar, e a outros um motivo para sair.
A AFP conversou com quatro cidadãos americanos que resolveram se mudar para o México. Conheça a história deles a seguir.
Retrocesso
A americana Tiffany Nicole Tapley resolveu se mudar para o México por causa do racismo nos EUA
Alfredo Estella/AFP
Depois de morar na Cidade do México desde 2020, Tiffany Nicole, de 45 anos, pensava em retornar a Chicago para ficar com sua filha, mas a vitória de Trump frustrou seus planos.
“Em novembro, enquanto eu estava em Chicago, aguardei para ver o que aconteceria na eleição. Tive a chance de me conectar com minha família. Agora estou vendo se consigo tirá-la do país”, diz.
Ela decidiu emigrar após a morte de George Floyd nas mãos de um policial em maio de 2020.
“Como negra, não me sentia mais segura no meu país”, diz Nicole, uma consultora tributária cujos clientes incluem outros expatriados americanos.
Assim que assumiu o cargo, Trump eliminou programas de diversidade, equidade e inclusão (DEI), que, segundo ele, levavam à “discriminação ilegal e imoral”.
Também ordenou a demolição de um mural do “Black Lives Matter”, o movimento civil que surgiu após o assassinato de Floyd.
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Discriminação
Lee Jimenez trocou Nova York pela Cidade do México
Yuri Cortez/AFP
Na era Trump, “os ataques por ser afro-latino, por ser dominicano, por ser gay” se multiplicam “em todos os lugares”, denuncia Lee Jiménez, um nova-iorquino de 38 anos, instrutor de ioga e influenciador fitness que deixou os EUA em 2022.
Ao retornar ao poder, Trump emitiu decretos reconhecendo apenas dois sexos, masculino e feminino, e restringiu os procedimentos de redesignação sexual para menores de 19 anos.
“Viver no México tem sido muito bom. Os Estados Unidos não são mais o que costumavam ser. O sonho americano acabou”, afirma, agarrado a uma certeza: “Não me vejo morando nos Estados Unidos novamente”.
‘Uma vida melhor’
Oscar Gomez nasceu nos EUA, mas resolveu ir morar no México
Alfredo Estrella/AFP
Oscar Gómez, um consultor de gestão empresarial de 55 anos, já estava pensando em deixar os Estados Unidos, mas Trump precipitou seus planos.
Com sete malas e seu cachorro Iggy, chegou há três semanas à capital mexicana.
“Quando Trump — que não apoiei — venceu, pensei: ‘Este é o momento'”, disse o americano filho de pais mexicanos.
Ele morava em um apartamento com uma vista privilegiada de São Francisco, mas sua renda diminuiu depois que o republicano cancelou os programas DEI com os quais tinha contratos.
“É irônico. Meus pais foram para os Estados Unidos em busca de uma vida melhor, e agora estou vindo para o México pelo mesmo motivo”, diz.
Embora não descarte retornar, ele planeja ficar no México por vários anos.
Polarização
A americana Jessica James trocou o Alasca pelo México
Alfredo Estrella/AFP
Jessica James, de 40 anos, que vive entre a Cidade do México e o Alasca devido ao seu trabalho em uma empresa de pesca, confessa que Trump esgotou seu último “incentivo” para se estabelecer permanentemente nos Estados Unidos.
“Sinto que o principal motivo é o que está acontecendo nos Estados Unidos (…). É desanimador, terrível, ver quantas pessoas votaram em Trump”, diz.
Filha de mãe mexicana, ela nasceu em San Diego, na Califórnia, e cresceu no estado conservador de Alasca.
“As coisas não mudaram muito por lá, mas a verdade é que há muita polarização nas redes sociais e na mídia”, enfatiza James, que tem um novo sonho: se tornar cidadã mexicana.
Bandeiras de México e Estados Unidos hasteadas em Ciudad Juarez, em fevereiro de 2025
REUTERS/Jose Luis Gonzalez
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