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A Polícia Civil de Minas Gerais concluiu o inquérito que apurava os fatores que causaram o grave acidente. Uma carga de pedras se desprendeu do caminhão e atingiu um ônibus de turismo. Trinta e nove pessoas morreram na explosão. Ônibus pegou fogo após colidir contra carreta
Corpo de Bombeiros
A Polícia Civil de Minas Gerais (PCMG) concluiu o inquérito sobre o grave acidente que deixou 39 mortos na BR-116, em Teófilo Otoni, em dezembro do ano passado. O caminhoneiro Arilton Bastos Alves e a empresa responsável pelo transporte da carga foram indiciados.
De acordo com as investigações, o condutor estava sob efeito de substâncias ilícitas, além de trafegar em alta velocidade.
Já a empresa que administrava a carga fraudou documentos sobre a pesagem das pedras que eram transportadas no caminhão, conforme informou a PCMG na manhã desta quarta-feira (26).
“O dono da empresa também foi indicado pelos 39 homicídios e por falsidade ideológica, por ter feito o preenchimento falso em notas fiscais e documento de transporte dessas pedras. Ele inseriu a pesagem falsa daquelas pedras, provavelmente para burlar a fiscalização, caso acontecesse”, disse o delegado Amaury Tenório de Albuquerque, chefe do 15º departamento de Teófilo Otoni.
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O inquérito apontou que:
Houve sobrepeso de carga no caminhão, sendo que o veículo trafegava com 103 toneladas, o que representa o valor de 77% de sobrepeso;
o motorista dirigia a 97km/h — segundo a perícia, se ele estivesse a 60km/h já estava sob risco de tombamento;
o condutor chegou a trafegar a mais de 100km/h antes do acidente;
o motorista havia feito uso de cocaína, bebida alcoólica, ecstasy e alprazolam.
Os investigadores entenderam que o motorista cometeu homicídio doloso, quando há intenção de matar, já que ele cometeu uma série de infrações graves que provocou a morte das 39 vítimas que foram carbonizadas no incêndio.
Também foi observado, durante o depoimento, um comportamento frio e “sem arrependimento” de Arilton Bastos Alves.
“Na carreira policial não tem paralelo para descrever o que eu vi ali. Ele [motorista] deixa o local do acidente, ele não presta ocorro, ele fecha a cabine do caminhão, vai embora do local e deixa para trás 39 corpos incendiando”, completou o delegado.
O inquérito foi encaminhado ao Ministério Público de Minas Gerais, que deve decidir se o proprietário da empresa responsável pelo transporte será preso, ou não.
Relembre o trágico acidente
A carreta bateu em um ônibus de turismo, que transportava 45 pessoas, e em um carro de passeio, com um motorista e dois passageiros. A batida aconteceu às 3h30 do dia 21 de dezembro de 2024.
O ônibus, da empresa EMTRAM, havia saído de São Paulo no dia anterior, por volta das 7h da manhã, no terminal rodoviário do Tietê, e tinha como destino a Bahia.
Foi comprovado que um grande bloco de granito de soltou da carroceria da carreta e atingiu o ônibus que seguia na rodovia, em sentido contrário. Logo após o impacto da pedra com o ônibus ocorreu um grande incêndio.
No momento do acidente, a carreta levava dois blocos de quartzito, com peso total de 103 toneladas, número superior ao permitido pela legislação de trânsito.
No dia do acidente, o agente da Polícia Rodoviária Federal, Fabiano Santana classificou o acidente como “uma tragédia sem precedentes para a região” e informou que a maior parte das mortes foi causada pelo incêndio do ônibus. O acidente foi considerado a maior tragédia em rodovias federais desde 2007.
“Foram vítimas resgatas para o hospital, pessoas que se queimaram tentando resgatar vítimas, crianças pedindo para resgatar os pais”, relatou Santana.
Ônibus pegou fogo após colidir contra carreta
Corpo de Bombeiros MG/Divulgação
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